Introdução
O MEI foi criado pra simplificar a vida de quem está começando. Mas em algum momento, ele começa a atrapalhar mais do que ajudar. Faturamento chegando no limite, cliente grande pedindo nota fiscal de serviço que o MEI não emite, vontade de contratar mais de um funcionário — esses são sinais de que o formato cumpriu seu papel e ficou pequeno.
Neste artigo, você vai entender quando faz sentido sair do MEI, o que muda com essa transição e como fazer isso sem dor de cabeça.
O que é o MEI e por que ele tem limite
O Microempreendedor Individual é um formato de empresa criado pra formalizar pequenos negócios com o mínimo de burocracia. O DAS (pagamento mensal de impostos) é fixo, a contabilidade é simples e a abertura é gratuita.
O problema é que esse formato tem teto. Em 2025, o limite de faturamento anual do MEI é de R$ 81.000 — ou R$ 6.750 por mês. Se você ultrapassar esse valor, o MEI deixa de ser a estrutura certa pro seu negócio.
Quando você deve considerar sair do MEI
1. Seu faturamento está chegando perto do limite
Se você está faturando R$ 5.000 ou mais por mês com consistência, vale começar a planejar a transição antes de estourar o limite. Quem ultrapassa o teto do MEI em mais de 20% num ano é obrigado a se desenquadrar — e isso pode gerar cobranças retroativas de impostos se não for feito do jeito certo.
2. Você quer contratar mais de um funcionário
O MEI permite ter apenas um empregado. Se o seu negócio cresceu e você precisa de mais pessoas, precisa mudar de categoria.
3. Clientes grandes estão pedindo o que o MEI não oferece
Empresas médias e grandes geralmente exigem nota fiscal eletrônica de serviços com tipos específicos que o MEI não consegue emitir. Alguns clientes simplesmente não conseguem fechar contrato com MEI. Quando isso começa a acontecer, você está perdendo negócio por causa da sua estrutura jurídica.
4. Você quer trabalhar com sócio
O MEI não permite sócios. Se você quer dividir o negócio com alguém, precisa abrir outro tipo de empresa.
5. Sua atividade não é permitida no MEI
Algumas atividades — como consultoria de gestão, serviços de TI mais complexos, e profissões regulamentadas — não são permitidas no MEI. Se você está exercendo uma atividade fora da lista permitida, já está irregular.
O que muda quando você sai do MEI
Sair do MEI significa migrar pra outro formato de empresa — geralmente Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP), dependendo do faturamento.
A principal mudança é nos impostos. Em vez de um valor fixo por mês, você passa a pagar um percentual sobre o que fatura. No Simples Nacional (o regime mais comum pra quem faz essa transição), as alíquotas variam de acordo com a atividade e o faturamento.
Isso não significa necessariamente pagar mais imposto. Dependendo do volume de receita, da atividade e de como a empresa está estruturada, o imposto pode até ficar proporcional ou menor. O que muda é a complexidade: você vai precisar de um contador.
Como fazer a transição de MEI para ME
O processo de desenquadramento pode ser feito pelo portal do empreendedor, mas o ideal é não fazer isso sozinho. A transição envolve escolher o regime tributário certo (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real), definir o CNAE adequado pra sua atividade e regularizar obrigações que o MEI não exigia.
Fazer isso sem orientação pode resultar em escolhas erradas que custam caro mais pra frente — como pagar mais imposto do que deveria ou enquadrar a empresa no regime errado.
Quando NÃO sair do MEI
Se você está faturando bem abaixo do limite, tem uma atividade permitida e não precisa de sócio nem de mais funcionários, o MEI continua sendo a melhor opção. Mudar antes do necessário gera custo sem motivo.
Conclusão
O MEI é uma ótima porta de entrada, mas não é pra sempre. Se você está crescendo, está batendo no teto ou está perdendo clientes por causa da sua estrutura, é hora de rever o formato.
A boa notícia é que fazer isso do jeito certo não é complicado — desde que você tenha as orientações certas antes de assinar qualquer coisa.
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